A H&M anunciou expansão no Brasil, com loja nova no Rio de Janeiro e plano de crescimento agressivo no país. Por trás do movimento, há uma condição que costuma passar despercebida nas manchetes sobre varejo.
Em entrevista ao jornal O Globo, o CEO global da empresa foi direto: “Todos precisam jogar com as mesmas regras. Pagar impostos.”
A declaração parece óbvia. Mas o contexto em que ela foi feita não é.
A condição silenciosa do investimento
Empresas que decidem instalar operações físicas em um país, contratar funcionários locais e recolher tributos sobre cada venda estão fazendo uma aposta de longo prazo. Essa aposta tem um pressuposto básico: que as regras do jogo se apliquem igualmente a todos os participantes.
É exatamente esse pressuposto que está em discussão quando se debate a chamada “taxa das blusinhas”, o imposto sobre compras internacionais de baixo valor realizadas por plataformas como Shein e Shopee.
O que está em jogo
Se essa taxação for reduzida ou eliminada, quem produz no Brasil, emprega no Brasil e paga impostos no Brasil passa a competir em desvantagem estrutural com plataformas que operam com custos tributários significativamente menores.
Não se trata de protecionismo. Trata-se de isonomia.
A questão não é impedir a competição estrangeira. É garantir que ela aconteça dentro das mesmas regras que se exige de quem opera localmente.
O debate real
No fundo, a discussão sobre um tributo específico é apenas a superfície de algo mais amplo: a capacidade do Brasil de oferecer um ambiente previsível, isonômico e competitivo para quem decide investir aqui.
Empresas como a H&M não precisam do Brasil. Elas escolhem o Brasil. E essa escolha é feita com base em sinais concretos sobre como o país trata quem decide jogar dentro das regras.
Manter essas regras iguais para todos não é detalhe regulatório. É condição para atrair e reter investimento de qualidade.
O que você acha: o Brasil tem conseguido oferecer esse ambiente? Comenta aqui.