Fala-se muito sobre a inteligência artificial eliminando empregos. E isso, em parte, deve mesmo acontecer.
Mas há um lado menos óbvio dessa transformação que merece atenção.
A demanda que ninguém esperava
A Meta Platforms vem enfrentando dificuldade para contratar eletricistas na velocidade necessária para acompanhar a expansão dos seus data centers. A resposta foi pragmática: a empresa criou programas próprios de capacitação gratuitos. Quem se destaca sai não apenas com certificado, mas com possibilidade concreta de contratação.
Não é um caso isolado. A explosão de infraestrutura digital exige, na ponta, trabalho físico e especializado. Cabeamento, instalações elétricas de alta tensão, refrigeração industrial. Nada disso é automatizável no curto prazo.
A lógica por trás da ironia
Há uma tendência de imaginar a transição tecnológica como um movimento em que máquinas substituem pessoas em bloco. A realidade é mais granular.
Algumas funções desaparecem. Outras se transformam. E algumas, antes consideradas periféricas, passam a ser gargalo estratégico para as maiores empresas do mundo.
O eletricista que instala a infraestrutura que roda os modelos de linguagem mais avançados do planeta não é um sobrevivente da era da IA. É parte essencial dela.
O que isso muda na prática
Para quem pensa em formação profissional, a mensagem é clara: habilidades técnicas que conectam o mundo físico ao digital tendem a se valorizar, não a se depreciar.
Para empresas, o episódio da Meta levanta uma questão mais ampla: onde estão os gargalos humanos na sua operação? Quais capacidades você precisa desenvolver internamente porque o mercado não consegue entregar?
Talvez uma das maiores ironias da era da IA seja exatamente essa: quanto mais avançada a tecnologia, maior a valorização de certas habilidades que nenhum algoritmo substitui.
Você tem percebido esse movimento na sua área? Quais habilidades técnicas você vê se valorizando com a expansão da IA? Comenta aqui.