Nas Olimpíadas de 2008, uma das maiores preocupações dos atletas que competiriam em Beijing era a poluição. O ar da capital chinesa era denso o suficiente para comprometer o desempenho físico, e o tema dominou a cobertura pré-jogos.
Menos de duas décadas depois, a China desponta como uma das líderes globais na transição energética.
Essa virada não foi acidental.
O papel decisivo do Estado
A transformação chinesa combinou dois movimentos complementares: incentivos robustos ao desenvolvimento de energias renováveis e uma penalização crescente sobre emissores de carbono.
Juntos, esses instrumentos redesenharam a matriz energética do país de forma estrutural. Não como resposta a uma tendência global, mas como estratégia de Estado com horizonte de longo prazo.
É um exemplo direto de como a tributação pode ir além da arrecadação e ser usada para redesenhar a própria vulnerabilidade de um país.
Uma jogada de xadrez geopolítico
Ao reduzir sua dependência do petróleo, a China não apenas melhorou seus indicadores ambientais. Ela avançou uma casa importante no tabuleiro geopolítico global.
Países dependentes de energia fóssil importada estão permanentemente expostos a choques de preço e instabilidade geopolítica. Países com matriz diversificada e renovável ganham autonomia, previsibilidade e poder de barganha.
A China percebeu isso e agiu de forma coordenada. O instrumento principal foi tributário.
Para aprofundar
Esse tema está desenvolvido em artigo publicado no blog da Wolters Kluwer, editora holandesa especializada em direito e tributação internacional: Taxation as a Driver of Energy Transition: How China Rewrote Its Vulnerability to Oil Shocks.
Vale a leitura para quem acompanha a interseção entre política fiscal, transição energética e geopolítica.
Como você vê o uso da tributação como instrumento de transformação estrutural? O Brasil poderia replicar algo parecido? Comenta aqui.