Scroll infinito, flexões e créditos de carbono. O que isso tem a ver?

Existe um aplicativo chamado Pushscroll com uma lógica bastante simples: quer usar redes sociais além do tempo combinado? Primeiro faça algumas flexões. Ou burpees. Ou agachamentos.

O app cria um “preço” para o comportamento e usa inteligência artificial para detectar se o movimento foi realmente executado.

O resultado é direto: scroll infinito fica mais caro. Atividade física fica mais acessível.

Um mecanismo conhecido em um contexto novo

Quem trabalha com política ambiental vai reconhecer a lógica imediatamente.

É a mesma estrutura dos créditos de carbono: precisa emitir mais do que o permitido? Vai ter que adquirir créditos de quem opera de forma mais eficiente, ou reduzir o próprio impacto.

Em ambos os casos, o mecanismo não proíbe o comportamento. Ele cria um custo para ele.

E custos mudam escolhas.

O princípio que atravessa escalas

Seja no clima ou no cotidiano, a lógica é a mesma: incentivos moldam comportamentos.

Isso vale para indivíduos decidindo quanto tempo passar no celular. Vale para empresas calculando se vale investir em eficiência energética. Vale para países negociando metas de emissão.

A pergunta relevante, em qualquer desses contextos, não é só “o que queremos que as pessoas façam?”. É “quais incentivos estamos criando para que elas façam isso?”

Quando o design dos incentivos está certo, o comportamento desejado se torna o caminho mais fácil. Quando está errado, nem as melhores intenções resolvem.

Você conhecia o Pushscroll? E na sua área, quais incentivos você vê funcionando (ou falhando) na prática? Comenta aqui.

Tags :
Comportamento,Créditos de Carbono,Incentivos,Produtividade,Tecnologia
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