Recentemente, circulou a notícia de que Trump autorizou o aumento da mistura de etanol na gasolina nos Estados Unidos como medida para conter a alta dos combustíveis. Há pressão para que a medida emergencial e provisória se torne permanente.
Do outro lado do hemisfério, o Brasil observa essa movimentação com uma perspectiva peculiar: a de quem tomou essa decisão há mais de cinquenta anos.
O que foi o Proálcool
Lançado em 1975, em plena crise do petróleo, o Programa Nacional do Álcool combinou três elementos que raramente aparecem juntos na história de políticas públicas: decisão política com horizonte de longo prazo, vantagem natural (solo, clima e a maior cultura de cana-de-açúcar do mundo) e capacidade de inovação tecnológica.
O resultado foi uma matriz energética única no mundo, com uma fatia expressiva de combustível renovável integrada ao cotidiano de milhões de brasileiros.
Décadas à frente da pauta
O que impressiona no Proálcool não é só o que ele entregou, mas quando ele foi concebido.
Segurança energética, redução de emissões, diversificação de matriz: esses temas só viraram pauta global décadas depois. O Brasil os endereçou de forma estrutural antes mesmo de existir vocabulário para isso.
Hoje, o etanol brasileiro conversa diretamente com ESG, com transição energética e com a busca global por alternativas ao petróleo. Não como tendência recente, mas como política de Estado com meio século de maturidade.
O legado que merece ser reconhecido
Enquanto outros países debatem o etanol como solução emergencial, o Brasil já colhe os frutos de uma aposta feita quando apostar nisso exigia coragem.
Há muito a criticar nas políticas energéticas brasileiras ao longo da história. Mas o Proálcool é um caso em que vale bater no peito: a visão estava certa, e o mundo está começando a perceber isso agora.
O que você acha? O Brasil soube aproveitar bem esse legado, ou deixou oportunidades na mesa? Comenta aqui.